"E eu compreendia a impossibilidade contra a qual o amor se choca. Imaginamos que ele tenha por objeto um ser que pode estar deitado à nossa frente, oculto num corpo.
Mas ai! Ele é a extensão desse ser em todos os pontos do espaço e do tempo
que esse ser ocupou ou vai ocupar.
Se não possuímos seu contato com tal lugar, com tal hora, nós não o possuímos.
Mas não podemos tocar todos esses pontos.
Se ainda nos fossem indicados, talvez pudéssemos tentar alcançá-los.
Mas tateamos às cegas sem encontrar.
Daí a desconfiança, o ciúme, as perseguições.
Perdemos um tempo precioso seguindo uma pista absurda
e passamos ao lado da verdade sem suspeitá-la."
'A prisioneira'
Marcel Proust
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário